A garota está sentada na encosta, de frente para o abismo.
O horizonte à frente, mas em volta de si, fantasmas circundam em forma de pensamentos, sonhos e desilusões.
O vento sopra à beira do rochedo e o mar, lá embaixo, como um mantra embalando seus devaneios.
O céu está límpido, mas seus delírios criam uma névoa de um liláz rosáceo em sua mente e ela vê diante de si tudo o que passou.
Há um certo desespeiro calado e cálido no que sente, mas tudo à volta é tão emblemático; sentada em terra firme, mas a um passo da perdição.
Ela devia ter pouco mais de 10 anos, mas sabia tão tenre que já havia alguém que habitava lá dentro. Ela sabia que existiam coisas para além de lá fora, de fora de si mesma.
Nunca entendi porque era sempre assim tão séria, mas lá, sozinha, à beira da queda, ficava ela sorrindo silenciosa, como se soubesse de algo que não sabemos.
Sozinha e no limiar, no precipício de suas emoções - assim se sentia segura: sentada à beira do precipício...
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