segunda-feira, 23 de março de 2009

Um tango talvez

Um passo, e outro tropeço. Uma forma de expressar minha libido de uma maneira quase sexual, um tango talvez.

Meu pensamento ofegante, meu corpo lateja por dentro, mas por fora quase sem vida, grita aqui dentro querendo se expressar.

Mas como dançar sem par?

Um tango talvez dançar em algum lugar, em que ninguém vai reparar... sozinho no escuro, em casa, ou subindo a escada, sem pressa que é para não topar.

Será que ela topa dançar...?

Mas não tem que ser agora, pois para essa dança não tem hora, tem a hora que tiver que ser, se tiver que ser, nessa ou em outra estória...

Um conto, um canto, um novo encanto, eu embarco nessa, um passo para lá outro para cá.

Um tango talvez...

sábado, 7 de março de 2009

Sentada no abismo

A garota está sentada na encosta, de frente para o abismo.

O horizonte à frente, mas em volta de si, fantasmas circundam em forma de pensamentos, sonhos e desilusões.

O vento sopra à beira do rochedo e o mar, lá embaixo, como um mantra embalando seus devaneios.

O céu está límpido, mas seus delírios criam uma névoa de um liláz rosáceo em sua mente e ela vê diante de si tudo o que passou.

Há um certo desespeiro calado e cálido no que sente, mas tudo à volta é tão emblemático; sentada em terra firme, mas a um passo da perdição.

Ela devia ter pouco mais de 10 anos, mas sabia tão tenre que já havia alguém que habitava lá dentro. Ela sabia que existiam coisas para além de lá fora, de fora de si mesma.

Nunca entendi porque era sempre assim tão séria, mas lá, sozinha, à beira da queda, ficava ela sorrindo silenciosa, como se soubesse de algo que não sabemos.

Sozinha e no limiar, no precipício de suas emoções - assim se sentia segura: sentada à beira do precipício...