quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Se eu soubesse o seu nome

Se eu soubesse seu nome...

Se eu soubesse seu nome, talvez não lhe caísse tão bem quanto aquele que penso ser o seu.

Troquei contigo uns olhares furtivos, umas poucas palavras, mas me lembro mais do deslize ondulado de seus longos cachos castanhos do que de sua face, que é sem dúvida tremendamente bela.

Eu te chamaria de Gabriela, nem tanto porque ousaria repetir a rima óbvia do seu doce gosto, mas porque me lembro do teu rosto moreno claro, misto de ingenuidade e malícia, que faz lembrar a daquela que é de cravo e canela.

Sei que quando me olha sabe o que eu penso. Mas há um pacto silencioso nesse nosso laço sem nome, um pacto de juras não ditas que exigem esse mútuo consentimento proibido e não consumado.

O amor que fica assim, perfeito, imaculado pelo toque, mas preenchido pelo sublime desejo de não ser realizado. Admirar-te assim calado já me basta, porque sabemos que não é lícito o que nossos olhos entregam.

Não é lícito porque meu amor, de carne e de desejo, é difuso nos amores furtivos, aqui e ali, onde encontro quem queira uma faceta de mim.

Em três amores me divido, mas meu amor verdadeiro é por ti, aquela que não conheço o nome, aquela que quer e não pode, mas que me deixa saber, assim mesmo.

Não é lícito porque por hora pertences a outro, e eu do momento que te vi já soubera, mas sei que agora também és minha, em pensamento. E tu disso também sabes...

Talvez, se eu soubesse teu nome, não sei se ficaria o encanto. Mas se viermos um dia a nos possuirmos de fato, não quero que me diga a verdade, quero que seja apenas fêmea, sem identidade, sem qualquer veleidade ou decepção. Deixe que falem os corpos, deixe que fale a sagrada perversão.

Quero amar-te, sem saber quem és. Mesmo que meu corpo venha a conhecer-te os mais íntimos recônditos de teu prazer, não quero saber nem mesmo da menor palavra que leve aos enganos daquilo que pensamos ser.

Que minha paixão sem nome seja o que tiver de ser. Platônica, catatônica ou puro prazer. Não me importa. Você despertou algo antigo dentro do meu ser.

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