Dias nublados são enigmáticos. A primeira coisa que evocam é uma certa melancolia serene, mas é curiosa a maneira em que o sol se mete entre as nuvens, é como se o céu tentasse abrir um breve e discreto sorriso.
Um misto de tristeza e alegria parece refletir o estado de ânimo da natureza e das pessoas, especialmente num dia de quietude mundial.
Alguns ousam sair à rua, outros até se animam com o pedacinho de sol que aparece aqui e ali.
A rua em geral fica vazia, mas se vamos ao mercado sempre o encontramos cheio. Creio que é porque lá nunca faz sol, nunca faz sombra, nunca cai a chuva.
Eu olho pela janela e vejo o concreto do muro em meio às grades de proteção. Só um pouco mais acima vejo um pedacinho do céu, de um furtivo azul e cinza.
Talvez aqui do lado de dentro, eu possa escolher que pedaço lá fora desejo ver através da janela. Mesmo em um dia nublado, em meio ao mar de cinza esbranquizado, há um pedacinho de azul pra se ver.
Dias nublados são assim, podem aquecer ou esfriar o coração. Mas se tivermos um pouquinho de paciência e atenção podemos observar o céu a sorrir benevolente de tudo o que se passa aqui em baixo.
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