Relacionar-se é inevitável, mesmo na mais profunda reclusão - não dizem por aí que o mais difícil é ser companhia de si mesmo? Pelo menos para a maioria de nós a solidão é companhia indesejável. Para outros a solidão é uma meta; saber estar em companhia de si.
Tenho impressão, às vezes, de que o primeiro passo para a solidão é saber estar em companhia do outro. Pode parecer estranho pensar assim, ainda mais se pensarmos, erroneamente, que companhia consiste simplesmente em estar junto.
Vejo muitos grupos de amigos pelas ruas, nos shoppings e bares, e o que sinto é que os que fazem parte do grupo pouco fazem companhia um ao outro; parecem apenas desempenhar papéis, para poder 'se encaixar'.
Por muito tempo vivi em profunda circunspecção. Nunca tive muitos amigos e quando tive a experiencia de ter um grupo grande de amizades, por um breve período, foi uma experiência que compensou apenas pelo que pude aprender sobre o que não é amizade.
Hoje tenho poucos amigos, e o mais normal é que quando vou vê-los, visito-os individualmente e não raro temos longas e íntimas conversas. Quando estou em presença deles, me sinto em companhia de alguém.
O que sinto é que os amigos, enquanto poucos, são doces e duradouros laços, que se soltam suavimente quando é hora de partir.
Aos amores, que os temos ao longo da vida, esses são laços mais delicados, paradoxalmente profundos e tênues, fazendo-nos lembrar bem de quão sutil é o limiar entre a lucidez e a loucura.
Especialmente quando se está apaixonado.
Compartilhar a intimidade, uma experiência da qual dificilmente se sai ileso e o desejo de tornar eterno o vínculo amoroso é o que torna mais angustiante e presente a sensação do efêmero.
Amar é um grande risco que se corre.
Mas o engraçado é que quando passa a paixão, por uma desilusão qualquer, fica só a impressão de tempo perdido. Um gosto amargo e frio que se dá, quando o fogo se apaga e não se converte em amor.
Amar é amargar. Mas é um amargo que se converte no mais puro prazer quando sublimado e realizado.
Amar é amargar quando não se realiza quando demasiado pensado, calculado e poupado.
Amar é gastar todos os cartuchos, é se esvair sem fôlego e alimentar-se da própria exaustão.
Por isso é que amo aos amigos, porque talvez já tenhamos passado juntos por todas as agrúrias e o amargo já é o doce que passou pelo teste do fogo e agora é só brisa, de reconforto e companheirismo.
Amizade é amor. Amar, Amargar...
Neste espaço, compartilho meus escritos. Espero que apreciem.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
Dias Nublados
Dias nublados são enigmáticos. A primeira coisa que evocam é uma certa melancolia serene, mas é curiosa a maneira em que o sol se mete entre as nuvens, é como se o céu tentasse abrir um breve e discreto sorriso.
Um misto de tristeza e alegria parece refletir o estado de ânimo da natureza e das pessoas, especialmente num dia de quietude mundial.
Alguns ousam sair à rua, outros até se animam com o pedacinho de sol que aparece aqui e ali.
A rua em geral fica vazia, mas se vamos ao mercado sempre o encontramos cheio. Creio que é porque lá nunca faz sol, nunca faz sombra, nunca cai a chuva.
Eu olho pela janela e vejo o concreto do muro em meio às grades de proteção. Só um pouco mais acima vejo um pedacinho do céu, de um furtivo azul e cinza.
Talvez aqui do lado de dentro, eu possa escolher que pedaço lá fora desejo ver através da janela. Mesmo em um dia nublado, em meio ao mar de cinza esbranquizado, há um pedacinho de azul pra se ver.
Dias nublados são assim, podem aquecer ou esfriar o coração. Mas se tivermos um pouquinho de paciência e atenção podemos observar o céu a sorrir benevolente de tudo o que se passa aqui em baixo.
Um misto de tristeza e alegria parece refletir o estado de ânimo da natureza e das pessoas, especialmente num dia de quietude mundial.
Alguns ousam sair à rua, outros até se animam com o pedacinho de sol que aparece aqui e ali.
A rua em geral fica vazia, mas se vamos ao mercado sempre o encontramos cheio. Creio que é porque lá nunca faz sol, nunca faz sombra, nunca cai a chuva.
Eu olho pela janela e vejo o concreto do muro em meio às grades de proteção. Só um pouco mais acima vejo um pedacinho do céu, de um furtivo azul e cinza.
Talvez aqui do lado de dentro, eu possa escolher que pedaço lá fora desejo ver através da janela. Mesmo em um dia nublado, em meio ao mar de cinza esbranquizado, há um pedacinho de azul pra se ver.
Dias nublados são assim, podem aquecer ou esfriar o coração. Mas se tivermos um pouquinho de paciência e atenção podemos observar o céu a sorrir benevolente de tudo o que se passa aqui em baixo.
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