Outro dia, lendo uma peça de Molière, "Le Bourgeois gentilhomme" me deparei com uns versos interessantes e que no momento me fazem pensar na veracidade de suas palavras:
"Une coeur dan l'amoureux empire,
De mille soins est toujours agité:
On dit qu'avec plaisir on languit,
on soupire;
Mais, quoi qu'on puisse dire
Il n'est rien de si doux que notre liberté."
É um francês um pouco antigo, mas experimentei uma tradução, com certa libertinagem poética:
"Um coração, no império do amor,
Por mil suplícios está sempre atormentado:
Se diz que é com prazer que nos enamoramos,
nós suspiramos;
Mas qualquer um que seja bem que iria dizer:
Não há nada tão doce como nossa liberdade."
Esse trecho é um diálogo em música, em que os interlocutores se pronunciam sobre o amor e seus prazeres e desprazeres, sendo que um se coloca a favor e outro se mostra temeroso.
Esta parte sem dúvida é a fala daquele que, de certa forma, teme o amor, pois se diz que não há liberdade mais doce do que o não amar, é porque acha caro demais o preço a se pagar.
Hoje talvez eu me coloque como esse que tem receio, pois parece às vezes que o preço é caro de mais...